O m todo da astronomia segundo Kepler SciELO

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Claudemir Roque Tossato Pablo Rub n Mariconda,tratar os problemas acerca dos movimen. tos planet rios dessa nova maneira de,Kepler fazer astronomia que trataremos. neste texto,O nosso objetivo apresentar os,aspectos metodol gicos envolvidos no. processo pelo qual Kepler elabora as duas,primeiras leis dos movimentos planet. rios a lei da forma el ptica da trajet ria,planet ria e a lei das reas Restringimo.
nos s duas primeiras leis excluindo a,terceira a lei harm nica por que elas. expressam as condi es que conduziram,ao abandono do padr o de inteligibilida. de dado pelo axioma plat nico de que os,movimentos s o circulares e uniformes. Nossa inten o sobretudo a de enten,der o processo de constru o das duas. primeiras leis e de como elas representa,ram uma modifica o no estatuto episte.
mol gico e metodol gico da astronomia,do in cio do s culo xvii especificamente. Figura 1 Johannes Kepler 1571 1630 fundador da quanto ao uso do conceito de hip tese. astronomia moderna Deve se a ele as tr s leis dos astron mica Para tanto trataremos. movimentos planet rios e a elabora o de uma nova,inicialmente do processo de obten o. metodologia para a astronomia cient fica,das duas primeiras leis dos movimentos. planet rios destacando os seus pontos mais relevantes em seguida discutiremos o. m todo kepleriano para a astronomia, 1 A Astronomia nova e a estrat gia metodol gica de Kepler. Escrever sobre a metodologia kepleriana arriscar se profundamente ao erro e ao en. gano Isto se explica fundamentalmente pela dificuldade de tal trabalho Excetuan. do se a obra Apologia de Tycho que versa sobre o estatuto epistemol gico do uso de. hip teses na astronomia e algumas passagens isoladas de suas obras nas quais Kepler. apresenta algumas etapas de seu procedimento Kepler pouco escreveu diretamente. acerca das quest es metodol gicas Em particular nada escreveu sobre como obteve. 340 scienti zudia S o Paulo v 8 n 3 p 339 66 2010,O m todo da astronomia segundo Kepler.
as suas leis dos movimentos planet rios ou de suas conquistas na ptica Tudo que es. creveu em astronomia e ptica corresponde a extensos relatos de suas descobertas. importantes nesses dom nios O que ele apresenta ao leitor de suas obras todo o pro. cesso todas as etapas que percorreu para obter os seus resultados mas sem refletir. sobre o procedimento o m todo que o guiava Por exemplo em sua principal obra. astron mica Astronomia nova onde s o formuladas as duas primeiras leis dos movi. mentos planet rios Kepler apresenta seu percurso por meio de um relato mostrando. erros e acertos sem derivar qualquer regra metodol gica Assim n o temos em Kepler. uma discuss o preliminar tal como fizeram Descartes e Bacon para apresentar como. pretendiam construir o conhecimento cient fico para explicitar as regras admitidas. que devem acompanhar toda empreitada de obten o do conhecimento Kepler dife. rentemente apresenta um extenso relato de todas as etapas que o conduziram desco. berta das duas primeiras leis dos movimentos planet rios e nessa extensa descri o. que se deve encontrar o que serviu de guia a Kepler. Podemos seguindo a pr pria descri o de Kepler reconstruir o caminho em. preendido objetivando extrair as regras metodol gicas subjacentes para o caso das duas. primeiras leis ao relato contido na Astronomia nova 1. A obra Astronomia nova de Kepler escrita com o prop sito de mostrar que n o. h equival ncia entre as hip teses na medida em que as hip teses copernicanas da. centralidade do Sol e do movimento da Terra est o melhor adequadas s apar ncias. pois explicam por que essas apar ncias se d o e n o s o meramente representativas. dos fen menos tomados em si Em outras palavras as hip teses astron micas eram. entendidas na poca de Kepler como pertencentes astronomia descritiva na qual as. hip teses s o matem ticas pois servem somente para o c lculo das posi es dos pla. netas Kepler modifica esse estatuto das hip teses e as trata como pertencentes as. tronomia explicativa entendidas agora como hip teses f sico matem ticas O que. Kepler exige da astronomia que o car ter explicativo torne se parte integrante da. teoria dos movimentos planet rios pois as explica es sobre os aspectos f sicos dos. movimentos planet rios um requisito da posi o copernicana. A Astronomia nova de Kepler composta de uma introdu o e de cinco partes. A introdu o trata de dois assuntos O primeiro sobre os objetivos da obra e a apre. 1 O leitor interessado no processo de elabora o das duas primeiras leis de Kepler poder consultar principalmen. te Small 1963 que representa umas das primeiras tentativas de reconstru o do itiner rio kepleriano Caspar. 1959 Dreyer 1953 Koyr 1961 e Simon 1979 s o cl ssicos que muito influenciaram na compreens o do. pensamento de Kepler no s culo xx destacam se tamb m os diversos trabalhos de Aiton 1969 1975 1978 e de. Wilson 1968 1972 1975 que com riqueza de detalhes mostram nos os aspectos t cnicos envolvidos na elabora. o da primeira e da segunda leis recentemente temos os trabalhos de Stephenson 1987 Martens 2000 e Voelkel. 2001 e estes s o somente alguns dos comentadores que tratam dessa quest o. scienti zudia S o Paulo v 8 n 3 p 339 66 2010 341,Claudemir Roque Tossato Pablo Rub n Mariconda. Figura 2 Frontisp cio da Astronomia nova de 1609,Nesta obra pela primeira vez na hist ria da as. tronomia o axioma plat nico de circularidade e,uniformidade dos movimentos dos planetas ne. gado o que abre o caminho para a determina o,das duas primeiras leis. senta o de alguns procedimentos que,podemos entender como metodol gicos.
utilizados por Kepler para dar conta dos,problemas envolvidos na determina o. dos movimentos planet rios O segundo,assunto uma pequena teoria da gravi. dade e das mar s assunto que n o trata,remos neste artigo. O objetivo de Kepler com a Astro,nomia nova o de reformular a teoria as. tron mica especialmente para o movi,mento de Marte em todas as suas tr s.
formas de hip teses ptolomaica coper,nicana e brahiana de modo que se pos. sa construir tabelas que correspondam,aos fen menos celestes Kepler 1937. 1609 p 20 Ou seja temos uma preo,cupa o pr tica a necessidade de tabe. las mais confi veis e para obt las investigar qual das hip teses astron micas ade. quada para tanto Mas o texto continua e lemos, Eu inquiro sobre as causas f sicas e naturais dos movimentos dos planetas. O resultado eventual dessas considera es a formula o de argumentos claros. que mostram que a opini o de Cop rnico sobre o mundo sofrendo pequenas. altera es a verdadeira e que as outras duas s o falsas p 20. Para Kepler o copernicanismo o verdadeiro modelo de universo e as raz es. disso s o de ordem f sica 2 Aqui temos a exposi o de que Kepler n o trata a astrono. 2 J no Mysterium cosmographicum de 1596 Kepler defendia o copernicanismo dando v rios argumentos a seu favor. como por exemplo Minha confian a foi primeiramente estabelecida pela magn fica concord ncia de tudo que. observado nos c us com a teoria de Cop rnico visto que ela n o apenas derivou movimentos passados mas. 342 scienti zudia S o Paulo v 8 n 3 p 339 66 2010,O m todo da astronomia segundo Kepler.
mia somente como descritiva aceitando a equival ncia das tr s hip teses mas que a. considera o das causas f sicas e naturais dos movimentos conduzem no verdade. da hip tese de Cop rnico Isto posto Kepler explicita a hip tese da centralidade f sica. Ora o primeiro passo em dire o determina o das causas f sicas dos movi. mentos dos planetas est em demonstrar que os planos de todos os exc ntricos. somente podem intersectar se no centro do corpo solar e n o em algum ponto. aproximado contr rio ao que pensavam Cop rnico e Brahe p 20. Para Kepler essa uma nova maneira de tratar a astronomia que mostra sua. independ ncia com rela o aos dois autores que mais o influenciaram Cop rnico de. quem toma o modelo cosmol gico e Brahe de quem utiliza os dados observacionais. sobre Marte Pode parecer estranha a refer ncia a Cop rnico mas o c nego polon s. n o posicionava o centro dos movimentos no corpo do Sol mas nas proximidades e fez. isso em vista do respeito ao axioma plat nico de movimentos circulares e uniformes. Kepler que ir como veremos mais frente retirar a primazia do axioma plat nico. transformando o em uma hip tese que deve ser testada por sua correspond ncia com. as observa es, Kepler tem consci ncia da novidade que prop e para a astronomia da o sentido. do t tulo da obra Astronomia nova uma nova astronomia ou seja uma astronomia pra. ticada com um novo m todo que visa a determina o da verdade das hip teses por. tanto visa a obten o de explica es, Kepler inicia a primeira parte da Astronomia nova escrevendo sobre os proble. mas da astronomia de sua poca em particular dos movimentos dos planetas os prin. cipais s o duas irregularidades desigualdades que notamos quando observamos os. movimentos planet rios ao longo do zod aco a n o uniformidade entre arcos e tem. pos primeira desigualdade e a retrograda o segunda desigualdade cf Kepler 1937. 1609 cap 1 A seguir Kepler apresenta os tr s modelos cosmol gicos desse per o. do o ptolomaico no qual a Terra est no centro dos movimentos e o Sol gira ao seu. redor o copernicano a Terra um planeta como outro qualquer e gira ao redor do Sol. e o brahiano um modelo misto em que a Terra o centro do sistema e a Lua e o Sol. giram ao seu redor enquanto que os outros planetas giram ao redor do Sol Kepler ar. tamb m previu movimentos futuros Entretanto o que mais importante que daquilo que os outros nos en. sinaram como sendo milagre apenas Cop rnico deu nos a explica o Kepler 1938 1596 p 14 5 Por m de. ve se ressaltar que em 1596 Kepler n o dispunha dos dados de Brahe a quem s conhecer pessoalmente em 1600. Os dados de Brahe os mais precisos at ent o permitir o a Kepler na obra de 1609 defender o copernicanismo de. modo muito mais contundente,scienti zudia S o Paulo v 8 n 3 p 339 66 2010 343. Claudemir Roque Tossato Pablo Rub n Mariconda, gumenta que eles s o equivalentes sob o ponto de vista da determina o dos. posicionamentos planet rios isto todos eles conseguem utilizando artif cios dis. tintos Cop rnico e Brahe usam o conc ntrico com epiciclos 3 enquanto Ptolomeu uti. liza o equante obter dados relativamente satisfat rios para a determina o dos. posicionamentos planet rios Por m todos eles pecam por n o tratar a astronomia. sob o ponto de vista f sico cf Kepler 1937 1609 caps 2 6. Contudo a primeira parte do livro somente apresenta o problema A estrat gia. de Kepler no restante da obra ser mostrar que se os modelos em quest o s o equi. valentes sob o ponto de vista descritivo matem tico apenas o copernicano que sofre. r algumas altera es o deslocamento do centro matem tico para o centro f sico. explica as irregularidades dos movimentos dos planetas o que Ptolomeu e Brahe n o. conseguem explicar Apenas o heliocentrismo que permitir uma aplica o metodo. l gica explicativa f sico matem tica, A quinta parte trata das latitudes na qual Kepler comenta algumas observa es.
dos astr nomos antigos acerca dos movimentos dos planetas relacionando a essas os. resultados a que chegou nas outras partes da Astronomia nova A seguir trataremos da. segunda terceira e quarta partes da Astronomia nova que cont m a formula o das. duas primeiras leis dos movimentos planet rios na tentativa de compreender o novo. procedimento adotado por Kepler para a astronomia,2 O processo de elabora o das duas primeiras leis. Levando em conta o relato contido nas tr s partes que tratam da descoberta da. primeira e da segunda leis Kepler realiza o seguinte itiner rio. i trata a astronomia maneira dos antigos isto sem tratar das cau. sas f sicas dos movimentos considerando as hip teses sob o ponto. de vista instrumentalista que est na segunda parte da obra Astro. nomia nova caps 7 a 21, ii modifica o seu enfoque assume a hip tese compernicana e consi. dera as causas f sicas chegando segunda lei na terceira parte da. obra caps 22 a 40, iii elabora hip teses intermedi rias para chegar determina o da for. ma da rbita que demonstra ser a el ptica na quarta parte da obra. caps 41 60, 3 O leitor encontrar no final deste artigo um pequeno gloss rio dos termos astron micos aqui referidos. 344 scienti zudia S o Paulo v 8 n 3 p 339 66 2010,O m todo da astronomia segundo Kepler.
2 1 A hip tese vic ria, Kepler adota inicialmente uma postura como ele pr prio diz semelhante aos anti. gos Kepler 1937 1609 cap 16 ou seja aceita incontestavelmente o axioma plat. nico de que os movimentos planet rios s o circulares e uniformes ou compostos de. movimentos circulares e uniformes considerando que suficiente a adequa o da re. presenta o geom trica desses movimentos dos planetas A hip tese tomada assim. como mera hip tese matem tica sem a considera o de causas f sicas A perspectiva. assim explicitamente descritiva Essa etapa marcada pela utiliza o da hip tese. vic ria tamb m chamada de hip tese suplementar entendida como um recurso. cinem tico sem qualquer considera o da a o f sica do Sol O objetivo da investiga. o a de conjugar as observa es de Brahe com a descri o correta da forma orbital do. planeta Marte tal como entendido pela hip tese matem tica copernicana para tanto. necess rio admitir que, 1 o corpo do Sol que est no centro aderindo assim ao copernicanismo. 2 as rbitas s o circulares e uniformes assumindo dessa forma o axio. ma plat nico, Para descrever a rbita do planeta Marte Kepler tinha que encontrar os seguin. A Astronomia nova de Kepler composta de uma introdu o e de cinco partes A introdu o trata de dois assuntos O primeiro sobre os objetivos da obra e a apre 1 O leitor interessado no processo de elabora o das duas primeiras leis de Kepler poder consultar principalmen te Small 1963 que representa umas das primeiras tentativas de reconstru o do itiner rio kepleriano

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