Discurso pol tico e argumenta o nas redes sociais

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No meio digital ressalta se que uma peculiaridade da internet o. fato de ela ter modificado alguns pap is sociais dos sujeitos do discurso. Assim se transmitir informa o para milhares de pessoas e formar opini. o consistia anteriormente de pr ticas reservadas aos profissionais da te. levis o ou do r dio hoje a m dia digital permite a in meros cidad os de. v rias camadas da sociedade expor multiplicar e formar opini o. Pelo fato de essas opini es poderem alcan ar outros espa os e. pessoas de maneira a se difundirem e se revestirem de efeitos de verdade. a internet surge tamb m como um meio promissor do discurso persuasi. vo pelo qual se age na tentativa de controlar olhares posicionamentos. No caso do pol tico que visa ao reconhecimento do eleitor para que este. o legitime torna se imprescind vel criar mecanismos pelos quais se al. cancem reconhecimento e aceita o da maioria Para tanto um candidato. pode utilizar esse meio digital como espa o de contato r pido e direto. com os eleitores e selecionar estrat gias discursivas que ser o mantidas. ou alteradas de acordo com a rea o de seus interlocutores que aceitam. ou rejeitam determinada posi o A sele o do que ser informado em. blogs e outras redes sociais online por exemplo j revela uma tentativa. de orienta o argumentativa de encaminhamento do internauta a que ve. ja tal candidato como este se apresenta e assim d lhe credibilidade e. legitimidade CHARAUDEAU 2006 p 64 multiplicando essa opini. Por essa raz o pode se dizer que o dinamismo que hoje se estabe. lece na sociedade da informa o ap s o surgimento da internet traz. condi es peculiares ao pol tico para que este aja pelo discurso a fim de. fortalecer sua autoimagem p blica e de controlar o poder de decis o de. seus eleitores Trata se pois como no caso das redes sociais online do. discurso do controle revestido da imagem do cotidiano em que as infor. ma es selecionadas bem como as silenciadas a respeito da vida de um. pol tico podem criar efeitos de verdade em raz o do ambiente no qual. elas s o divulgadas, A partir desses pressupostos propomos neste trabalho observar. os mecanismos acionados pelos candidatos s elei es presidenciais para. a constru o de suas identidades em busca de legitima o ou seja para a. consecu o do reconhecimento de seus eleitores visando vit ria no. pleito que est o disputando Al m disso temos por objetivo identificar a. orienta o argumentativa que se inscreve nos valores ativados por esses. pol ticos a partir dos quais constroem suas identidades Trata se de um. recorte de nossa pesquisa em que buscamos evidenciar marcas lingu sti. co discursivas constitutivas do discurso pol tico no Brasil com especial. destaque aos ocupantes ou que buscam ocupar o cargo mais elevado de. nossa na o Como corpus deste trabalho selecionamos discursos de. Dilma Rousseff PT e de Jos Serra PSDB ent o candidatos Presi. d ncia da Rep blica Federativa do Brasil publicados em suas p ginas no. Twitter durante o m s de maio de 2010, O tratamento dispensado ao corpus prev a identifica o do t pico. discursivo de cada tweet analisado tendo em vista o valor argumentativo. da sele o efetuada Buscamos ainda destacar que as estrat gias argu. mentativas utilizadas por esses ent o candidatos denotam encaminha. mento para a constru o de suas identidades Est prevista a correla o. dos t picos a acordos presun es valores e lugares a partir do que dis. p em Perelman Olbrechts Tyteca 1996,2 O jogo online no discurso pol tico. Agir por mecanismos discursivos corresponde a uma atividade de. coprodu o de sentidos cujas poss veis interpreta es resultam do en. contro entre o sujeito que enuncia e pelo menos mais outro com quem. ele dialoga e a quem interpreta Desde Arist teles concep es dessa or. dem j eram consideradas e ressurgem em trabalhos de grande import n. cia como o de Bakhtin M dvedev 1985 em que se assinala estarem as. atividades lingu sticas diretamente ligadas s caracter sticas hist ricas e. sociais do momento da enuncia o, Nessas pr ticas do discurso em condi es espec ficas da vida p. blica na pol tica cada qual age e reage discursivamente para fins defini. dos e determinados a partir daquilo que imagina do outro Essa percep. o est atrelada s configura es de pocas distintas e efetivada por. sujeitos sociais os quais defendem e falam em nome de valores e assim. assumem identidades n o de modo est vel e limitado mas sim adapt vel. e m ltiplo sobretudo por conta tanto dos v rios pap is assumidos por. eles na sociedade quanto dos lugares em que seus discursos s o produzi. Em rela o a esses lugares as caracter sticas espec ficas das situ. a es sociais nas quais circulam os discursos pol ticos propiciam um jo. go de imagem acentuado Isto porque nesses espa os de pr tica pol tica. atuam tanto os agentes que procuram manter seu poder no caso brasilei. ro o PT Partido dos Trabalhadores quanto os que buscam resistir a ele. ou mesmo tom lo como o quer o PSDB Esta a posi o te rica de. Chilton 2004 a respeito do conceito macro de pol tica Tamb m Cha. raudeau 2006 p 46 assinala que a pol tica um campo de batalha em. que se trava uma guerra simb lica para estabelecer rela es de domina. o ou pactos de conven o Consequentemente o discurso das ideias se. constr i mediante o discurso do poder, Al m disso outra caracter stica espec fica do sistema democr tico.
diz respeito necessidade de os pol ticos terem de conseguir ades o da. inst ncia cidad para alcan arem ou manterem o poder fazer de um Esta. do Assim por conta de uma tradi o institucional a legitimidade ser. conferida a ele caso um sujeito coletivo o aceite autorize o a assumir da. da fun o Torna se pois necess rio levar em conta as caracter sticas. contextuais imbricadas nessas pr ticas discursivas os lugares em que. elas s o produzidas os v rios pap is sociais postos em cena pelos parti. cipantes e os textos previstos para que se possa analisar pelo dito e pe. lo n o dito a configura o do jogo de imagens constitutivo de cada pol. tico A respeito desse jogo Charaudeau 2006 p 8 assim se pronuncia. O discurso pol tico por excel ncia o lugar de um jogo de m scaras. Toda palavra pronunciada no campo pol tico deve ser tomada ao mesmo tem. po pelo que ela diz e n o diz Jamais deve ser tomada ao p da letra numa. transpar ncia ing nua mas como resultado de uma estrat gia cujo enunciador. nem sempre soberano, De fato a pr tica pol tica em seu sentido macro move o dis. curso dos sujeitos de forma a faz los selecionar determinadas informa. es e ocultar outras uma vez que nesses contextos situacionais o dizer. a o direcionada ora para grupos espec ficos ora para outros na tenta. tiva de alcan ar e agradar objetivo ret rico a maioria Tais procedimen. tos consistem de estrat gias de busca de legitimidade pois possibilitam. aproxima o ou distanciamento com o povo de tal modo que este possa. reconhecer um dos candidatos como o mais adequado para representar. seus interesses Tal resultado extremamente necess rio para o pol tico. j que ele est engajado em uma luta em que pleiteia como exposto um. poder que concedido pelo cidad o por meio do voto, A n o neutralidade do discurso j sobejamente discutida por. Benveniste 1960 parece n o se ter disseminado no meio pol tico que. ainda se pretende ing nuo ou que prev que seu interlocutor o seja Nessa. dire o ressaltamos que todo discurso mesmo que queira se apresentar. como neutro ou inocente pode carregar em si um sentido pol tico caso a. situa o o autorize Do mesmo modo h a possibilidade de um enuncia. do aparentemente pol tico ser organizado como pretexto para enunciar. algo que n o seja necessariamente da pol tica N o portanto o discurso. que se determina pol tico mas sim a situa o que o torna ou seja o con. texto em seu sentido amplo que politiza a pr tica discursiva Charaude. au 2006 Esta politiza o de discursos aparentemente do cotidiano. ocorre nos enunciados selecionados das p ginas do Twitter dos ent o. candidatos presid ncia da Rep blica Federativa do Brasil conforme. buscamos apresentar em nossas an lises, Levando se em conta os estudos do C rculo de Bakhtin 1952. 1953 torna se poss vel tamb m afirmar que aqueles para quem os dis. cursos s o direcionados no Twitter exercem papel significativo medida. que o pol tico procede a uma ativa compreens o responsiva BAKH. TIN 2003 p 301 desde o in cio de sua elabora o discursiva Assim. trata se de considerar que as especificidades do g nero discursivo est o. relacionadas s pr ticas inerentes esfera de comunica o pol tica e. nesse vi s que as formula es dos candidatos presid ncia da Rep blica. dialogam com os discursos do cotidiano e mais do que isto revestem se. de sua imagem para que alcancem efeito de credibilidade em termos de. simular a apresenta o de atividades da vida di ria. Ainda quanto s singularidades do g nero discursivo em quest o. tem se que os sentidos dos enunciados s o constitu dos n o s a partir do. que se apresenta textualmente mas tamb m por meio de material semi. tico peculiar dos espa os virtuais de circula o dos discursos dimens o. verbal n o verbal sincr tica e pela situa o interacional dimens o so. cial em que est o inclu das as caracter sticas hist ricas e sociais do. momento pol tico de sua produ o, Em raz o de a leitura na internet n o se processar linearmente. SNYDER 1996 os leitores podem acompanhar o que publicado no. momento de seu acesso ou anteriormente Por isso as estrat gias argu. mentativas utilizadas pelos pol ticos em discursos que circulam nesse. meio precisam ser cuidadosamente selecionadas pois os internautas po. der o confrontar imediatamente os discursos as informa es que circu. lam na rede De fato preciso lembrar que o leitor virtual possui acesso. ilimitado a outros enunciados e pode fazer escolhas locais e sucessivas ao. mesmo tempo em que entra em contato com um site espec fico KOCH. 2007 o que lhe permite a atualiza o de dados e de informa es e con. sequentemente a aceita o ou n o do que exposto, Tais especificidades implementadas em especial pelo uso das re.
des sociais levam nos a atentar para a possibilidade de exist ncia de uma. constru o cont nua de sentido nos enunciados dos pol ticos A es e re. a es podem ser selecionadas conforme o candidato entenda a opini o. p blica em dado momento social e isto pode ser um ind cio de que se lo. calize uma argumenta o peculiar quando atentamos ordena o dos. mecanismos lingu sticos presentes nas p ginas do Twitter por exemplo. A este respeito Charaudeau 2009 p 279 ressalta, Para poder decir el porqu y el c mo de los fen menos del mundo el su. jeto que argumenta tambi n tiene la limitaci n de cierto ordenamiento de las. operaciones Diremos que debe consagrarse a una actividad cognitiva cu. druple problematizar tomar posici n elucidar y probar. Se problematizar constitui ponto chave nessa intera o a tomada. de posi o marca se como pr tica importante para a argumenta o no. Twitter j que o relato no tweet quanto ao que se faz direciona os pa. peis sociais assumidos e assim d a entender as representa es sociais. privilegiadas Nessas ocasi es como em outras ao relatar o pol tico. cumpre o papel de portador de valores ou seja uma voz que enuncia um. ideal social revestido de cren as oriundas de tradi es sociais as quais. implicam a necessidade da exist ncia de um provedor capaz de realizar. saber fazer um sonho coletivo, Com efeito os discursos dos pol ticos s o marcados por sele es. lingu sticas que orientam o eleitor a v los com credibilidade isto as. informa es s o organizadas de modo a dar evid ncia de compet ncias e. habilidades aquelas que um representante de uma sociedade deve pos. suir a partir do que foi consagrado pelas regras sociais vistas como es. senciais para o representante do povo ser capaz de colocar em pr tica as. propostas por ele apresentadas A este respeito Charaudeau 2006 p 80. 81 assinala preciso portanto que o pol tico saiba inspirar confian a. admira o isto que saiba aderir imagem ideal do chefe que se en. contra no imagin rio coletivo dos sentimentos e das emo es. Mostrar se cr vel ent o uma maneira de o pol tico tentar alcan. ar o direito do fazer e assim pode se dizer que a confian a constitui fa. tor importante pois leva o cidad o a dar ou n o legitimidade ao candida. to para assumir um cargo institucional e poder decidir em nome da popu. la o A busca por legitimidade objetivo principal dos sujeitos pol ticos. inseridos no sistema democr tico remonta novamente quest o do jogo. de imagens instaurado entre os que concorrem em um pleito uma vez. que h in meras tentativas de constru o de imagens de si sob determi. nado ngulo a fim de pelo menos criar nos eleitores uma disposi o pa. ra a a o a qual poder se realizar em um momento oportuno com o vo. to Acreditamos que esse resultado primeiro da argumenta o a conquis. ta da ades o do p blico esteja relacionado estreitamente com as identi. dades assumidas pelos sujeitos pol ticos ou seja com as representa es. sociais constitu das e constituintes de seus discursos conforme apresen. tamos a seguir, 3 Constru o de identidades como estrat gia de busca por legitimi. Individualidade e coletividade s o constitutivas dos sujeitos soci. ais isto ao mesmo tempo em que podemos fazer escolhas discursivas e. comportamentais que nos caracterizam que nos individualizam a socia. liza o inerente constru o do EU pois s poss vel conceber um. EU na rela o estabelecida entre este e os outros conforme a An lise do. tico A respeito desse jogo Charaudeau 2006 p 8 assim se pronuncia O discurso pol tico por excel ncia o lugar de um jogo de m scaras Toda palavra pronunciada no campo pol tico deve ser tomada ao mesmo tem po pelo que ela diz e n o diz Jamais deve ser tomada ao p da letra numa

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